Automutilação é debatida em seminário na EPM

Exposição foi feita pela psiquiatra Jackeline Suzie Giusti.

 

Foi realizado hoje (7) na EPM o seminário Automutilação, promovido em parceria com a Coordenadoria da Infância e da Juventude (CIJ) do Tribunal de Justiça de São Paulo. O tema foi apresentado por Jackeline Suzie Giusti, psiquiatra auxiliar do ambulatório de Adolescentes Impulsivos (Drogas e Automutilação) do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e doutora em Ciências na área de Psiquiatria.

  

Compuseram a mesa de abertura os desembargadores Eduardo Cortez de Freitas Gouvêa, coordenador da Infância e da Juventude do TJSP, também representando o diretor da EPM; e Antonio Carlos Malheiros, integrante consultor da CIJ; e os juízes Daniel Issler, assessor da Vice-Presidência do TJSP, representando o vice-presidente; e Gabriel Pires de Campos Sormani, assessor da Corregedoria Geral da Justiça e integrante da CIJ, representando o corregedor-geral da Justiça.

 

A abertura dos trabalhos foi feita pelo desembargador Eduardo Cortez de Freitas Gouvêa, que cumprimentou e agradeceu a presença de todos, em especial da palestrante, salientando a relevância do debate: “trata-se de uma matéria polêmica e conflitante, da qual precisamos ter conhecimento, porque envolve um público que diz respeito à nossa área, que são as crianças e adolescentes”.

  

O desembargador Antonio Carlos Malheiros apontou a automutilação como um dos principais problemas que afetam crianças e adolescentes: “é um tema extremamente dramático e aterrorizante, daí a importância da sua abordagem pela palestrante”.

 

Jackeline Giusti iniciou sua exposição com um trecho da música Clarisse (1997), do grupo Legião Urbana, observando que ela descreve bem o drama do adolescente com automutilação e mostra que o problema já existia bem antes de ficar conhecido entre o público geral. Entretanto, chamou a atenção para o aumento da incidência e do interesse sobre o tema nos últimos anos.

 

Ela esclareceu que o nome científico da automutilação é “autolesão não suicida”, conceituando-a como “qualquer comportamento intencional envolvendo agressão direta ao próprio corpo sem intenção consciente de suicídio”, ficando excluídos dessa definição objetivos estéticos como o cutting e fatores religiosos.

 

A palestrante mencionou como comportamentos mais frequentes cortar a própria pele, arranhar-se, queimar-se, bater em si mesmo, morder-se e cutucar ferimentos. Entre as principais razões, citou a tensão, a autopunição, a sensação de vazio, rejeição ou abandono, a ansiedade, a depressão e sentimentos de solidão e desesperança. E mencionou como fatores de risco a ocorrência de abusos, negligência e separação na infância, bullying, distorção da imagem corporal, sintomas depressivos na pessoa ou na família, impulsividade, baixa autoestima, dificuldade de relacionamento e ideação ou tentativa de suicídio, entre outras.

 

Jackeline Giusti mencionou alguns comportamentos que podem indicar a ocorrência de automutilação, como o uso de roupas e acessórios que escondem o corpo, mudanças de comportamento, bullying e ferimentos frequentes. Mas alertou para o cuidado com atitudes que podem aumentar o medo de procurar ajuda e a piora da tensão psicológica no adolescente, como dizer que ela quer chamar a atenção ou obter algo ou então negar a existência do problema.

 

Ela destacou a importância do tratamento psiquiátrico, salientando que muitas vezes o simples diagnóstico faz com que o paciente interrompa a automutilação, ao conscientizar-se de que se trata de uma doença e que existe tratamento. Apresentou ainda relatos de casos concretos e discorreu sobre critérios de diagnóstico, cuidados na abordagem do paciente e recomendações de tratamento.

 

MA (texto e fotos)